São toneladas de peixes mortos para todos os lados. E isso se repete por 40 quilômetros do rio Manaquiri, próximo à capital, Manaus. E em todos os afluentes do rio, a cena se multiplica.
Os cardumes apodrecem na superfície da água, onde, em alguns pontos, nem a água dá pra ver.
O fenômeno foi causado pelo aumento da temperatura nos afluentes do rio Solimões. Sem chuva, a água não se renova, por isso, sem água corrente, e sem nuvens para bloquear o sol a água ficou muito quente.
"O aumento da temperatura faz com que haja naturalmente uma diminuição do oxigênio disponível na água. Muitas espécies vão sucumbir por falta de oxigênio." Explcia o biólogo Efren Ferreira.
E esse fenômeno está alterando o dia a dia das comunidades ribeiriinhas. No município de Manaquiri, já são 4 mil famílias atingidas. A prefeitura suspendeu as aulas, pois as crianças precisam do rio para se locomover, nos barcos. Muitas pessoas agora levam toalhas para usá-las como máscaras.
"A gente pega as toalhinhas para se proteger da catinga e não pode fazer mais nada", diz Vanderniuza Santos da Silva, professora de uma escola local.
Com tanta carne em putrefação, o cheiro é insuportável. Mas esse não é o único problema que os aflige. Além de não poderem pescar, os moradores ainda estão sem água para tomar banho, cozinhar e beber.
O rio está contaminado pelos peixes mortos e se decompondo.
Seu Glicério Figueiredo é pescador e mora em uma casa flutuante. Sobrevive com os peixes que conserva no sal e no sol. Dá para poucos dias. Depende hoje do seguro defeso e torce para que a chuva volte a cair. Segundo os meteorologistas a situação só vai se normalizar em janeiro.
"Até lá é esse sofrimento não tem para onde correr", diz o pescador.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
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